NACE PTECA (Esalq USP)

Início » Sin categoría » Agroecologia e as Plantas Alimentícias Não Convencionais

Agroecologia e as Plantas Alimentícias Não Convencionais

Nos dias 15 e 16 de maio o NACE PTECA promoveu o encontro “Diálogos e práticas sobre Plantas Alimentícias não Convencionais (PANCs)” com o especialista Valdely Knupp. Teve como público alvo agricultores, coletivos que atuam na área da agroecologia e grupos vinculados à economia solidária.

foto grupo PANCS

Contexto

Mais de 15% das plantas têm potencial alimentício e pouco se é reconhecido ou utilizado na alimentação diária. O potencial está também relacionado com baixos custos de manejo, como por exemplo, o gênero Amaranthus que é classificada como C4 (crescimento rápido), é vista em diversos lugares como “praga” pela facilidade do aparecimento da mesma na plantação, apesar de outros lugares serem utilizado como parte de um prato típico.

Além dos potenciais alimentos que são herbáceas é notório o descaso com os frutos advindos das florestais locais. São sabores diversos com riquíssimo potencial vitamínico.

Nossa alimentação em relação às frutas é muito escassa, sua maioria é de origem externa ao país ou à região. No Brasil das 20 frutas mais comercializadas, apenas 3 são nativas de nosso país. Na floresta atlântica, por exemplo, podemos consumir frutas minimamente conhecidas ou frutas das quais nunca ouvimos falar, citemos alguns exemplos:

Cereja brasileira (Eugenia brasiliensis): frutos muito semelhantes em sabor e cor com a cereja nativa da Europa

Uvaia (Eugenia uvalha): árvore da Mata Atlântica com frutos bons para sucos além de apresentar atividades anti-inflamatória, analgésica, antifúngica, antipirética, hipotensiva, antidiabética e antioxidante (KARWOWSKI apud OLIVEIRA et al., 2012).

Jerivá (Syagrus romanzoffiana): palmeira de “coquinhos” adocicados.

Sete-capotes (Campomanesia guazumifolia): semelhante a uma goiaba, com polpa doce;

Cambuci (Campomanesia phaea): levemente azedo e refrescante e a

Pitanga (Eugenia uniflora L.): saboroso, é rica em cálcio e antioxidantes naturais (KARWOWSKI apud LIMA; MÉLO; LIMA, 2012).

Baseado nas informações citadas pelos autores dos livros publicados pela Sociedade Brasileira de Fruticultura (SBF) em 2000, 2010 e 2012, as espécies que teriam maior potencial e conhecimento nos aspectos de valor comercial, nutricional e de pós-colheita, seriam: baru, pitanga, jabuticaba, umbu, goiaba-serrana, açaí, guabirobas, pequi, cupuaçu, abiu, camu-camu, jaracatiá, pitomba, cambucá, cereja-do-rio-grande, uvaia, cambuci, grumixama e guabiju. (DONADIO, 2014)

Em 2010, o Brasil era o terceiro maior produtor de frutas ficando atrás apenas da China e Índia. (FAO, 2013) o que remarca seu potencial produtor de variedades também nativas. Essa atividade facilita o próprio desenvolvimento sustentável das florestas já que com o interesse do mercado por produtos florestais não madeireiros (PFNM) a proteção de florestas nativas seria aliada à geração de renda.

Emerge, portanto, a necessidade de promover uma alteração na produção agrícola e no hábito alimentar, onde este possa ser baseado em recursos locais, o que torna as PANC uma opção vantajosa. Diminuindo a utilização de insumos externos, fortalecendo a identidade da cultura local e aumentando a soberania alimentar num modelo de coexistência campesina agroecológica.

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELIK, W. Perspectivas para segurança alimentar e nutricional no Brasil. Saúde e Sociedade, v. 12, n. 1, p. 12-20, 2003. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/sausoc/v12n1/04.pdf&gt;. Acesso em 22 de Nov de 2014.

Cardim, Ricardo. 10 frutas nativas dos cerrados e mata atlântica de São Paulo. 10 de Abril de 2012. Rede Árvores de São Paulo. Disponível em: https://arvoresdesaopaulo.wordpress.com/2012/04/10/10-frutas-nativas-dos-cerrados-e-mata-atlantica-de-sao-paulo/. Acesso em 06 de DEZ de 2014.

Donadio, Luiz Carlos. Frutas nativas do brasil: como despertar o interesse pela produção e Comercialização VI Encontro sobre Pequenas Frutas e Frutas Nativas do Mercosul. Abril de 2014. UNESP, Jaboticabal, SP. Disponível em <http://www.cpact.embrapa.br/eventos/2014/abril/pequenas-frutas/arquivos/palestras/frutas-nativas.pdf> Acesso em 06 de DEZ de 2014

Food and Agriculture Organization (FAO) – Anuário Estatístico 2013. Tabelas 12 e 30. Disponível em http://www.fao.org/docrep/018/i3107e/i3107e.PDF. Acesso em 06 de DEZ de 2014.

KarwowskI, Marília Silva Malvezzi – Estudo da estabilidade, comportamento reológico e dos compostos fenólicos de frutas da Mata Atlântica -Curitiba, 2011. Disponível em: <http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/33179/R%20%20D%20%20MARILIA%20SILVA%20MALVEZZI%20KARWOWSKI.pdf?sequence=&isAllowed=y&gt; Acesso em 06 de DEZ de 2014.

KINUPP, V. F. Plantas Alimentícias Não-Convencionais (PANCs): uma Riqueza Negligenciada. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas. Manaus-AM, 2009. Disponível em: <http://www.sbpcnet.org.br/livro/61ra/mesas_redondas/MR_ValdelyKinupp.pdf&gt;. Acesso em 22 de Nov de 2014.

LEFF, H. Agroecologia e saber ambiental. In: Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustententável, Porto Alegre, v.3, n.1, jan./mar., 2002. Disponível em: <http://www.pvnocampo.com.br/agroecologia/agroecologia_e_saber_ambiental.pdf >. Acesso em 22 de Nov de 2014.

Lorenzi, H. Árvores brasileiras. vol. 1, 1992. Instituto Plantarum.

Revista Editora Abril – Disponível em: <http://super.abril.com.br/alimentacao/fome-dignidade-443836.shtml>Acesso em 22 de Nov de 2014.

Revista Carta Capital – Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/educacao/um-bilhao-de-famintos> Acesso em 22 de Nov de 2014.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: